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Iniciativa em parceria com Regenera Moléculas e ANTT uniu biotecnologia e engenharia rodoviária para testar dispositivos sustentáveis de iluminação e sinalização
Microrganismos vivos que produzem luz e energia estão prestes a marcar presença no futuro da mobilidade no Brasil. Inspirada no comportamento biológico de organismos marinhos capazes de emitir luz e produzir energia, a EcoRodovias desenvolveu um projeto inédito que une biotecnologia, sustentabilidade e engenharia viária. A iniciativa nasce de uma pergunta provocadora: seria possível transformar a própria natureza em fonte de energia limpa para as estradas?
A resposta começa a se concretizar. O projeto utiliza microrganismos marinhos que produzem bioeletricidade, energia gerada por processos metabólicos, e bioluminescência, fenômeno que faz alguns organismos emitirem luz visível. Essa combinação permite criar dispositivos inteligentes de sinalização e iluminação natural, aplicados a elementos de segurança viária e equipamentos de proteção individual. Em vez de depender de energia elétrica convencional, detectores, LEDs e sensores podem ser alimentados por essas “baterias biológicas”, que aproveitam o ciclo de vida dos microrganismos
“Esse projeto demonstra como a biotecnologia pode transformar processos vivos em soluções reais de infraestrutura, unindo ciência, inovação e sustentabilidade. Mais do que gerar luz e eletricidade, queremos gerar caminhos para um futuro em que tecnologia e biodiversidade caminham lado a lado”, afirma Daniela Almeida, coordenadora de Sustentabilidade.
O projeto foi conduzido na concessionária Ecovias Cerrado, em parceria com a Regenera Moléculas e viabilizado pelo Recurso para Desenvolvimento Tecnológico (RDT) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“O grande diferencial está em utilizarmos a biodiversidade protegida do Banco Regenera como fonte única e renovável de matéria-prima: um ativo biotecnológico que reforça nosso compromisso com os mais altos padrões de ESG. Essa parceria com a EcoRodovias e a ANTT consolida o Brasil na vanguarda da bioinovação aplicada à infraestrutura”, afirma Vanessa Agostini, Doutora em Oceanografia Biológica pela FURG e especialista de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, em workshop da ANTT sobre o tema.
Por que a escolha por organismos marinhos?
A escolha pelos microrganismos de origem marinha não é por acaso. Segundo a Regenera Moléculas, é nos oceanos que reside uma das maiores fronteiras da inovação biotecnológica. “Optamos por microrganismos de origem marinha porque é nesse ambiente que a inovação realmente acontece. O oceano é um dos ecossistemas menos conhecidos do planeta – sabemos mais sobre a superfície da Lua do que sobre a sua biodiversidade”, explicou Vanessa Agostini.
Atualmente, segundo a especialista, o Banco Regenera mantém cerca de 2.400 microrganismos entre bactérias e fungos. Essa biodiversidade é o destaque do trabalho da companhia: ao utilizar espécies que se adaptam a condições extremas de salinidade, pH e luminosidade, a Regenera obtém organismos naturalmente mais bioativos e estáveis, capazes de produzir compostos com maior potencial energético e bioluminescente. Tudo isso sem necessidade de manipulação genética.
Como isso acontece na prática
Na prática, o sistema funciona como uma microestação biológica: os microrganismos ficam abrigados em pequenos compartimentos selados, chamados de biorreatores, alimentados por nutrientes naturais ou resíduos orgânicos reaproveitados. Durante seu metabolismo, esses organismos liberam elétrons, que são captados por eletrodos especiais, transformando essa energia em corrente elétrica suficiente para alimentar sensores, sinalizadores e pequenos LEDs. Ao mesmo tempo, espécies bioluminescentes emitem luz visível de maneira contínua, sem necessidade de lâmpadas ou baterias convencionais. Esses módulos podem ser instalados em barreiras, placas, uniformes ou dispositivos de segurança. Concluídas as fases iniciais de testes de laboratório e ambiente controlado, os resultados estão sendo analisados. A ideia é avaliar a possibilidade de otimizar os protótipos e avançar com estudos de viabilidade para testes em escala piloto nas rodovias. A análise também envolve questões de custo-benefício, impacto ambiental, testes em ambiente operacional e avaliação de aspectos regulatórios e normativos da aplicação da tecnologia em contextos operacionais.
Inovação que nasce da natureza
O uso de microrganismos bioelétricos representa uma das fronteiras mais promissoras da chamada bioengenharia aplicada à infraestrutura.
Com isso, dispositivos como sinalizadores noturnos podem operar sem baterias convencionais, contribuindo com o potencial para redução de resíduos eletrônicos, economia de consumo de energia da rede e menor impacto ambiental, ou seja, em linha com a visão da EcoRodovias de promover rodovias mais seguras, inteligentes e sustentáveis. “Acreditamos que o investimento em pesquisa e desenvolvimento deve ser contínuo para que a gente possa chegar a inovações escaláveis. O apoio a iniciativas como esta, contribui para aproximar a ciência da aplicação prática, estimulando a busca por soluções inovadoras que podem transformar o setor e gerar impactos positivos para a infraestrutura e para a sociedade”reforça Monica Jaen, diretora de Sustentabilidade.
Sobre a EcoRodovias
A EcoRodovias é uma das principais operadoras de concessões rodoviárias do país. Controlada pelo Grupo ASTM, administra 11 concessões em sete estados, totalizando 4,3 mil quilômetros, além de um ativo portuário e uma plataforma logística. A empresa está presente em importantes corredores de escoamento da produção agrícola e industrial, bem como em relevantes rotas turísticas do Brasil. Com o propósito de viabilizar caminhos nunca antes imaginados, a EcoRodovias impulsiona o desenvolvimento da infraestrutura brasileira com inovação, eficiência e foco na experiência do usuário. A companhia também mantém um forte compromisso com a sustentabilidade, possuindo metas claras em temas como redução de emissões de CO₂, segurança, diversidade, equidade e inclusão. Como reconhecimento por suas práticas ESG, integra carteiras relevantes da B3, como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), o ICO2 e o Idiversa. Para mais informações, acesse www.ecorodovias.com.br.